Agricultura: Horticultores pedem celeridade nas candidaturas a fundos comunitários
Os produtores de hortícolas da Região do Oeste pediram no passado dia 17 de Março aos deputados da Subcomissão de Agricultura celeridade no processo de candidaturas a fundos comunitários como forma de aumentarem a sua competitividade.
"Os agricultores não são subsídio-dependentes como provam os investimentos mostrados hoje (em quatro empresas que agregam cada uma mais de 100 produtores) mas para serem cada vez mais competitivos necessitam de estímulos", afirmou à agência Lusa José Burnay, presidente da federação nacional de produtores hortofrutícolas.
"Há dois anos que não há fundos e os agricultores continuam a investir", apontou José Burnay.
"É importante promover as organizações de produtores porque se queremos ter uma agricultura organizada é este o modelo que deve ser seguido", frisou o responsável.
José Burnay disse ainda que entregou, há um mês, ao ministro da Agricultura "um caderno reivindicativo" e que ainda não obteve qualquer resposta.
Contudo, o director regional de Agricultura do Ribatejo e Oeste, José Canha, assegurou à Lusa que os agricultores poderão começar a apresentar as suas candidaturas a partir de Abril.
Os produtores pediram ainda aos deputados que "sensibilizem" o Governo para a necessidade de terem que legalizar a mão-de-obra sazonal que são obrigados a contratar para a colheita dos produtos.
Os dez deputados que estiveram em centrais hortícolas dos Concelhos de Torres Vedras, Peniche e Mafra ouviram ainda os produtores pedirem alterações ao critério da autonomia financeira que é exigido na selecção de candidaturas a fundos comunitários.
Segundo explicaram os produtores, pelo facto de terem muito capital investido não têm a autonomia financeira exigida para se poderem candidatar aos fundos, o que na sua opinião é um critério injusto.
Do lado dos deputados, Miguel Ginestal (PS), presidente da Subcomissão de Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, afirmou que "compreende a apreensão" dos agricultores mas sublinhou que "o sector não esteve à espera do Estado nem da administração e que está hoje muito à frente dos outros que compõem a agricultura portuguesa".
"É um sector pujante e dinâmico que soube dar respostas ao mercado nacional e internacional e que assegura a qualidade e a segurança alimentar", concluiu o deputado socialista.
O sector dos hortícolas foi hoje considerado pelo director regional de Agricultura como o que tem maior volume de negócios na agricultura de Lisboa e Vale do Tejo
"Com 250 milhões de euros de negócios anuais, a produção de hortícolas suplantou todas as outras actividades e tornou-se o sector mais relevante", afirmou José Canha.
Os produtores de hortícolas dos Concelhos de Torres Vedras, Lourinhã, Peniche e Mafra estão agrupados em organizações de produtores, utilizam técnicas europeias de produção, sendo os maiores exportadores de tomate para o mercado espanhol nos meses de Verão.
As técnicas de produção intensiva em estufas e as formas de vender os produtos (em leilão) hortícolas do Oeste foram hoje observadas pelos deputados.
De acordo com os dados dos produtores de Torres Vedras, em leilão foram vendidas, em 2006, 30 mil toneladas e, em 2007, 44 mil toneladas de produtos hortícolas, dos quais 80 por cento se destinaram à exportação para Espanha, França, Alemanha e Reino Unido.
© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.
2008-03-17 21:50:01





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